
Na sexta, eu decidi dar continuidade ao meu post anterior. Assim, resolvi falar sobre as três divas do jazz. Continuando, portanto, hoje será o dia de Ella Fitzgerald.
Lady Ella, como era conhecida, tinha uma voz fantástica. Para aqueles que entendem (grupo do qual não faço parte, mas acho que essa informação deve ser importante. E quem souber me ensine, porque fiquei curioso) sua extensão vocal abrangia três oitavas. Uma voz clara, firme e encantadora. Digna de uma diva, tornando mais lindas as lindas canções que interpretava. Ela (Ella) ficou muito famosa por cantar scat, modo de cantar que tentava imitar um instrumento, trabalhando com as notas e melodias da música, através de palavras ou sílabas (ver vídeo abaixo). Sobre isso ela veio a comentar: "Eu apenas tentava fazer [com minha voz] o que eu ouvia os sopros da banda fazerem" .
Sua carreira começou muito cedo. Com 17 anos, ela cantava no famoso Apollo Theatre, no Harlem, símbolo do nascimento da música negra. Passou, então, a cantar com as big bands. Depois entrou em sua carreira solo fabulosa. Cantando com diversas pessoas e, talvez, sua parceria mais famosa foi com Louis Armstrong (old Satchmo). Essa união rendeu alguns cds maravilhosos, como o Ella & Louis (1956) e Ella & Louis Again (1957).
Outras indicações que faço dessa maravilhosa cantora, são os songbooks da Verve. Ella cantou oito compositores, como Cole Porter, Duke Ellington, George e Ira Gershwin. Outro grande fabuloso cd dela é o Ella Abraça Jobim (1981), no qual ela canta as músicas do nosso querido Tom, chegando até a interpretar uma em português (Água de Beber).
Assim como Billie Holiday, Ella Fitzgerald e a próxima diva participaram ativamente contra o racismo que imperava nos Estados Unidos à época. Militando em movimentos raciais, todas elas contribuíram contra o preconceito. E assim, foram fundamentais, não somente por tornar público o jazz -uma música originalmente negra, vinda de New Orleans e, obviamente, muito influenciada pela cultura africana- como também por permitir (talvez forçar) a aceitação de músicos e cantores negros na cena da música, dominada por brancos, nesse período.
Abaixo, um filme d'Ella cantando em Montreax, em 1969, interpretando Samba de Uma Nota Só, do Tom Jobim. Notem no seu solo de scat que ela passa por muitas músicas como Easy To Love e Anything Goes, ambas de Cole Porter.
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