segunda-feira, 12 de julho de 2010

Ignorância é Força!

Irmãos, eu eu vos trago A salvação. O Livro. 1984!

Depois de ser indicado por três amigos para ler esse livro eu finalmente peguei emprestado. Acho que foi um dos meus melhores empréstimos, junto da vez que eu peguei Os Maias, do Eça de Queiroz. Tanto é que depois eu vim a ganhá-lo, num lindo presente de alguém especial!

Vou falar brevemente do livro, embora ache que esse livro já deve ser do conhecimento comum de todos. O livro se passa em 1984, em Londres (ou como é conhecida na época do livro, Pista de Pouso Número 1), na Oceânia, uma superpotência controlada pelo restritivo Partido e comandada pela Grande Irmão, seu líder. Todos só obedecem a uma regra: a própria obediência em ação e pensamento. A sociedade é estratificada em três partes: o Núcleo do Partido, o Partido Externo subserviente e os proletas. O personagem principal, Winston Smith, que é do Partido Externo, trabalha no Ministério da Verdade, adulterando a verdade por aquela verdade que o Partido quer. Apesar da força para se conforma e obedecer ao Partido, ele mantém, secretamente, pensamento contra o Partido. Smith conhece Júlia e descobre nela uma pessoa com pensamentos semelhante. Ambos vão buscar ajuda para participarem da força de oposição. E por aí vai.... já falei demais. Obedeça e leia o livro.

Apesar de ser uma trama simples, o livro não é. Não é só altamente político, mas provoca sentimentos e pensamentos em quem lê. Esse livro é um daqueles que, assim como toda forma de arte, não nos deixa ilesos. George Orwell conseguiu em seu último livro nos provocar, nos constranger, nos alertar e nos acordar. Quanto ao autor, acho que sua fama já fala por si. Ficou famoso por falar as coisas de um modo que ninguém havia dito antes. Além disso, nesse livro, Orwell à semelhança de Tolkien e de James Cameron, ele criou uma língua: a Novafala.

Para fechar vou transcrever alguns trechos e, por fim, uma tirinha que representou meu sentimento quando acabei de ler o livro.

Que coisa bonita, a destruição das palavras! […] há centenas de substantivos que também podem ser descartados. Não só os sinônimos; os antônimos também. […] Uma palavra já contém em si mesma o seu oposto. Pense em “bom”, por exemplo. Se você já tem uma palavra como “bom”, qual a necessidade de uma palavra como “ruim”? […] qual o sentido de dispor de uma verdadeira série de palavras imprecisas e inúteis como “excelente”, “esplêndido” e todas as demais?

Todo conceito de que pudermos necessitar será expresso por apenas uma palavra, com significado rigidamente definido, e todos os seus significados subsidiários serão eliminados e esquecidos. [...] Menos e menos palavras a cada ano que passa, e a consciência com um alcance cada vez menor.

[...] Como podemos ter um slogan como “Liberdade é escravidão” quando o conceito de liberdade foi abolido? Todo o clima do pensamento será diferente. Na realidade não haverá pensamento tal como o entendemos hoje. Ortodoxia significa não pensar – não ter necessidade de pensar. Ortodoxia é inconsciência.

Era o produto de uma mente semelhante à dele, porém muitíssimo mais poderosa, mais sistemática, menos amedrontada. Os melhores livros, compreendeu, são aqueles que lhe dizem o que você já sabe.



5 comentários:

  1. Estou louca para ler esse livro. Só que quero ler em inglês, para não perder nada na tradução. Vai ser minha primeira compra nos EUA =)

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  2. Ótimo. Preciso reler, lembro de pouco. Junto com "Laranja Mecânica" do Burgess e "Admirável Mundo Novo", do Huxley, são a tríade de livros de ficção de um futuro distorcido/diferente.

    A Inglaterra de V de Vingança foi inspirada nessa obra do Orwell. Fica a dica.

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  3. Ainda não li nenhum desses outros livros, apesar das inúmeras indicações. Continua só aumentando minhas expectativas!

    Como está no livro: "Imagina uma bota pisando na cara de uma pessoa. Essa será a imagem do futuro."

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  4. deu vontade de ler de novo!

    e dudu, não acho que os livros sejam apenas de ficção sobre um futuro distorcido. é muito mais. tambem tem q levar em conta a epoca em que foram escritos e as ideias que circulavam.

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  5. Sim, não digo que não são, apenas destaco o background dos livros, que tem esse ponto em comum.

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